Contadores de Histórias do Marcírio
Jornal do Comércio em abril de 2008
Alunos de escolas municipais aprendem a gostar de ler contando histórias. Em
18 escolas da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre, crianças e
jovens que não manifestavam interesse pela leitura mergulham no universo
dos livros para aprender a contar histórias. Incentivados pela
Assessoria Técnico-pedagógica para Bibliotecas Escolares da Secretaria
Municipal de Educação (Smed), os grupos de contadores de histórias
reúnem alunos, professores e comunidade escolar e multiplicam leitores
trabalhando capacidades como criatividade, oralidade e desinibição.
Na
Escola Municipal de Ensino Fundamental Deputado Marcírio Goulart
Loureiro (Rua Saibreira, sem númweo, Partenon), os alunos encontram-se
fora do horário de aula uma ou duas vezes por semana para buscar
repertório e ensaiar apresentações. “Trabalhamos a partir de temas, como
ecologia, folclore, tempo e cultura negra. As crianças buscam textos
com histórias para contar, criam melodias e coreografias”, explica a
coordenadora da biblioteca e do grupo de contação de histórias da
escola, Claire Manica Constante.
Segundo Claire, o grupo começou
depois da reconstrução da escola há um ano. “Na época, muitos alunos
ajudaram na mudança da biblioteca e organização dos livros. Essas
crianças acabaram se tornando monitoras na biblioteca, e, depois,
passaram a ser também contadoras de histórias”, recorda.
Claire conta
que os alunos foram convidados para se apresentar em outras escolas
municipais e particulares e em eventos como o Encontro dos Professores
de Línguas Estrangeiras do Município de Porto Alegre (Eplem/POA),
promovido, anualmente, pela Smed. As apresentações nas escolas são
freqüentes na biblioteca e em salas multimeios.
Mostrar a cara
O
primeiro aluno a entrar no grupo da escola Marcírio Goulart, foi
Jaderson de Souza Porto, de 12 anos. “Um dia, eu encontrei em um livro
uma poesia sobre uma tartaruguinha e decorei toda. Então, a professora
Claire me convidou para participar de um grupo pra contar histórias”,
lembra. Jaderson começou a ler muito mais. “Também comecei a estudar
mais e a respeitar os colegas e professores”.
Wiliam Guilherme Alves
Araújo, de 13 anos, entrou no grupo de contadores depois de ver em uma
parede da escola um cartaz com os dizeres ‘Quem não tem vergonha de
mostrar a cara’. Imediatamente, ele foi à biblioteca ver do que se
tratava e quis participar. “Gosto de brincar com poemas, transformar
poesia em música. Aprendi a ter mais concentração, a interpretar
histórias. Eu adoro histórias, principalmente as antigas”, afirma
Wiliam.
Envolvimento interdisciplinar
Há alunos que, mesmo depois
de concluírem os estudos na escola, continuam participando dos grupos.
Um exemplo é Cristian Renan Garcia Marques, 16 anos. Quando sua
professora de violão o convidou para ser um contador de histórias,
Cristian estava no último ano do Ensino Fundamental e quase desistindo
de ir às aulas. “Além de aprender a tocar e cantar, eu ganhei amigos e
comecei a ler muito”, Ele segue participando dos encontros do grupo.
Assessora
técnico-pedagógica para bibliotecas escolares da Smed, Zaira Oliveira
Rios destaca o trabalho interdisciplinar que os grupos desencadeiam.
“Professores de português, literatura, línguas estrangeiras, música e
arte se envolvem e trabalham juntos. É um projeto inclusivo. Acolhe os
alunos e ultrapassa as paredes das bibliotecas, tornando-as vivas”,
resume. Outras seis escolas pretendem formar grupos de contação neste
semestre.
Reportagem postada em: http://escolamarcirio21.blogspot.com.br/2008/05/alunos-de-escolas-municipais-aprendem.html
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