terça-feira, 1 de abril de 2008

Contação de Histórias


Contadores de Histórias do Marcírio

Jornal do Comércio em abril de 2008

Alunos de escolas municipais aprendem a gostar de ler contando histórias.  Em 18 escolas da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre, crianças e jovens que não manifestavam interesse pela leitura mergulham no universo dos livros para aprender a contar histórias. Incentivados pela Assessoria Técnico-pedagógica para Bibliotecas Escolares da Secretaria Municipal de Educação (Smed), os grupos de contadores de histórias reúnem alunos, professores e comunidade escolar e multiplicam leitores trabalhando capacidades como criatividade, oralidade e desinibição.

Na Escola Municipal de Ensino Fundamental Deputado Marcírio Goulart Loureiro (Rua Saibreira, sem númweo, Partenon), os alunos encontram-se fora do horário de aula uma ou duas vezes por semana para buscar repertório e ensaiar apresentações. “Trabalhamos a partir de temas, como ecologia, folclore, tempo e cultura negra. As crianças buscam textos com histórias para contar, criam melodias e coreografias”, explica a coordenadora da biblioteca e do grupo de contação de histórias da escola, Claire Manica Constante.
Segundo Claire, o grupo começou depois da reconstrução da escola há um ano. “Na época, muitos alunos ajudaram na mudança da biblioteca e organização dos livros. Essas crianças acabaram se tornando monitoras na biblioteca, e, depois, passaram a ser também contadoras de histórias”, recorda.

Claire conta que os alunos foram convidados para se apresentar em outras escolas municipais e particulares e em eventos como o Encontro dos Professores de Línguas Estrangeiras do Município de Porto Alegre (Eplem/POA), promovido, anualmente, pela Smed. As apresentações nas escolas são freqüentes na biblioteca e em salas multimeios.

Mostrar a cara
O primeiro aluno a entrar no grupo da escola Marcírio Goulart, foi Jaderson de Souza Porto, de 12 anos. “Um dia, eu encontrei em um livro uma poesia sobre uma tartaruguinha e decorei toda. Então, a professora Claire me convidou para participar de um grupo pra contar histórias”, lembra. Jaderson começou a ler muito mais. “Também comecei a estudar mais e a respeitar os colegas e professores”.

Wiliam Guilherme Alves Araújo, de 13 anos, entrou no grupo de contadores depois de ver em uma parede da escola um cartaz com os dizeres ‘Quem não tem vergonha de mostrar a cara’. Imediatamente, ele foi à biblioteca ver do que se tratava e quis participar. “Gosto de brincar com poemas, transformar poesia em música. Aprendi a ter mais concentração, a interpretar histórias. Eu adoro histórias, principalmente as antigas”, afirma Wiliam.

Envolvimento interdisciplinar
Há alunos que, mesmo depois de concluírem os estudos na escola, continuam participando dos grupos. Um exemplo é Cristian Renan Garcia Marques, 16 anos. Quando sua professora de violão o convidou para ser um contador de histórias, Cristian estava no último ano do Ensino Fundamental e quase desistindo de ir às aulas. “Além de aprender a tocar e cantar, eu ganhei amigos e comecei a ler muito”, Ele segue participando dos encontros do grupo.

Assessora técnico-pedagógica para bibliotecas escolares da Smed, Zaira Oliveira Rios destaca o trabalho interdisciplinar que os grupos desencadeiam. “Professores de português, literatura, línguas estrangeiras, música e arte se envolvem e trabalham juntos. É um projeto inclusivo. Acolhe os alunos e ultrapassa as paredes das bibliotecas, tornando-as vivas”, resume. Outras seis escolas pretendem formar grupos de contação neste semestre.

Reportagem postada em: http://escolamarcirio21.blogspot.com.br/2008/05/alunos-de-escolas-municipais-aprendem.html

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