terça-feira, 28 de outubro de 2008

ADOTE - Ruy Carlos Ostermann

Autor Ruy Carlos Ostermann - ADOTE
Visita à escola em 28 de out de 2008


"nos visitou no dia 28 de outubro de 2008, no turno da noite (EJA).  Foi recebido pelos alunos com uma encenação do programa de rádio, o Sala de Redação, do qual ele participava diariamente na rádio Gaúcha.  Os alunos fizeram uma exposição de trabalhos com ilustrações e produções de texto sobre as crônicas do autor.  Depois o escritor manteve uma conversa com as turmas, na qual os alunos fizeram para o autor as perguntas que tinham formulado."  Revista Marcírio - Novembro de 2012.


"Ruy carlos Ostermann visitou o turno da noite (EJA) e foi recebido com uma apresentação de teatro dos alunos:  uma representação do programa de rádio Sala de Redação, da Rádio Gaúcha."  houve uma " exposição de trabalhos dos alunos da noite (Ilustrações de trechos de crônicas de Ruy Carlos Ostermann e produção de textos a partir da leitura de obra do autor).  Houve também uma conversa com o autor a partir de perguntas produzidas pelos alunos durante o tempo em que estudaram a obra de Ruy.  Por fim, a escola ofereceu u8m pequeno coquetel para o autor." página 3 do Jornal com Bah! do II Semestre de 2008.



No blog: http://marciriogoulart.blogspot.com.br/  encontramos uma bela reportagem da visita do autor que copiamos abaixo.


ESCREVENDO PARA RECEBER RUY CARLOS OSTERMANN: ESCRITA VEM, ESCRITA VAI...

Os textos aqui postados foram escritos baseados em temáticas relacionadas à leitura de crônicas de Ruy Carlos Ostermann. A primeira exposição ao público leitor destes textos aconteceu no dia 23 de outubro de 2008, dia da visita de Ruy a nossa escola.

A partir da temática reminiscência da infância tratada pelo autor em algumas de suas crônicas, foi proposto aos alunos que produzissem relatos narrativos ou pequenas crônicas que abordassem esse tema.

O resultado foi uma colcha de lembranças singulares como são as vidas de todos nós, escrita/costurada por uma linha fina e forte que possibilita a identificação, mas que impede a uniformização, pois mesmo que os fatos que povoam os textos escritos pelos alunos sejam parecidos, o sentimento e a emoção de cada um que conta o seu episódio são únicos e intransferíveis.

Junto aos textos temos a produção de Artes Visuais, também relacionada à temática reminiscência da infância, organizada pela professora Aneri. Nesta exposição tivemos ilustrações produzidas pelos alunos a partir das crônicas lidas. Além disso, tivemos a confecção de um painel, também coordenado pela professora Aneri, que teve por tema o céu e os aviõezinhos de papel, assunto de duas das crônicas lidas e trabalhadas pelas turmas.

Como se deu o processo de produção destes textos?

No que diz respeito à produção dos textos aqui postados, é preciso ressaltar que esta foi a primeira experiência de muitos dos alunos destas turmas de produzire textos visando a leitura por um público leitor que fosse além da sala de aula.
O tempo, que sempre é o inimigo da perfeição, impossibilitou um trabalho mais cuidado que gostaríamos de ter feito em sala de aula: maior detalhamento e melhor ordenamento dos fatos relatados, reelaboração dos títulos (a maioria dos títulos são mera transcrição do tema do texto, por isso a repetição excessiva), reorganização de frases e parágrafos, etc. Mas como o entusiasmo dos alunos para produzirem e serem lidos foi tal, os ditos problemas não justificavam que a exposição não viesse a acontecer por falta dos elementos já citados.

A digitação de noventa por cento dos textos aqui apresentados ficou por conta dos alunos. Nesta fase foi bonito ver a solidariedade dos que dominavam mais o teclado ensinado aos iniciantes. As poucas aulas destinadas à digitação foram nervosas, ansiosas (tínhamos um prazo pequeno para finalizar), mas foram cheias de momentos bonitos de união.
O que foi assegurado para a exposição final destes textos foi a correção ortográfica e pontuação final para que a produção escrita de nossos autores iniciantes tivesse assegurada a qualidade mínima que todos os textos que circulam socialmente devem ter.


Professora Jane Mari de Souza – professora de Português das turmas T41, T51 e T61.



Leia abaixo as crônicas de Ruy Carlos Ostermann que foram trabalhadas pelas turmas T41, T51 e T61.

COMENTÁRIOS SOBRE A VISITA DE RUY CARLOS OSTERMANN

Na aula que se seguiu à visita de Ruy Carlos Ostermann, foi solicitado às turmas que escrevessem sobre o encontro com o autor. Abaixo temos a produção de alguns dos alunos que participaram do encontro.


O ENCONTRO COM O PROFESSOR RUY

O dia 23 de outubro de 2008 vai ficar gravado em minha memória, pois foi o dia que Ruy Carlos Ostermann esteve em nossa escola.

Tivemos um momento muito agradável com o “professor”, como ele gosta de ser chamado. Nunca havia imaginado que um dia eu iria conhecer o senhor Ruy. Foi muito interessante ficar ouvindo ele falar.

O professor Ruy Carlos Ostermann é uma pessoa culta, inteligente. Tratou de todos os assuntos abordados com entendimento.

Eu me emocionei quando ele falou que estava feliz por estar ali sabendo que muitos de nós tínhamos trabalhado o dia todo e estávamos cansados, mas estávamos ali para conhecê-lo e ouvi-lo.
Gostei muito quando o professor Ruy falou sobre a importância da leitura e da escrita. Quando escrevemos algo, essa escrita é passada de geração para geração.

Fiquei orgulhosa ao ver alguns de nossos colegas representarem o programa Sala de Redação, pois no dia anterior à visita do autor o ensaio do programa Sala de Redação foi um fiasco. Confesso que no momento fiquei um pouco apreensiva, pois temia que nossos colegas iam nos envergonhar, mas tive uma bela surpresa. Ficou perfeito, ótimo! Parabéns para os colegas! Eles merecem!

A visita do autor Ruy Carlos Ostermann nos ensinou muita coisa: que não devemos querer ser mais do que as outras pessoas, porque somos todos iguais, independentemente da classe social, raça ou religião.

Outra mensagem que ele nos deixou é que nunca devemos desistir de nossos sonhos e, principalmente, ler, ler, ler, escrever, escrever, escrever....

Autora: Beatriz Teresinha de Oliveira.
Turma: T61


“Eu acho que o autor é uma ótima pessoa. Aquele dia foi um dia de emoção, porque aquela pergunta sobre o racismo que fiz foi tão forte, e ele deu uma resposta muito importante.

Ele é uma pessoa íntegra e inteligente, pois não deixou passar nenhuma pergunta e suas respostas eram claras. As pessoas ficaram admiradas com as suas respostas e o seu português correto.

Que pena que estou indo embora dessa escola, pois por aqui passaram pessoas muito importantes. A gente aprendeu coisas muito importantes sobre as pessoas de cada um deles.

Autora: Tanise Laís Pereira da Silva

Turma: T61



APRENDIZADOS COM RUY CARLOS OSTERMANN

Conhecer seu Ruy Carlos Ostermann, conhecer este projeto “Adote um Escritor”, ver o desempenho dos professores para receber o escritor foi tudo muito bom.


Seu Ruy, muito humilde, falou com a gente olhando olho no olho e isto me emocionou porque é uma pessoa que vem à nossa escola, à nossa comunidade falara e explicar sobre a sua profissão. Contou que tudo que conseguiu foi com muito suor, falou até sobre sua cassação em 1964.

Emocionante foi o diálogo com um senhor de idade. Falavam como se estivessem em um “boteco” falando sobre o futebol.

Também os colegas do programa Sala de Redação estavam excelentes. Não é fácil dialogar na frente de um supercomentarista, é muita responsabilidade. Eles estão de parabéns.

Gostei de conhecer parte da obra, como as crônicas, o significado das coisas, as mudanças de atitude que a gente tem e nem repara. Aprendi a como entender uma crônica e o que significa uma crônica. Fiquei suepresa comigo mesma na hora de leaboroar uma crônica. Não que fosse a crônica mais maravilhosa, mas fiquei satisfeita com o início da tentativa de crônica”Amizade de infância”. Não sabia que poderia iniciar tão bem um assunto, principalmente sendo um assunto real. Foi muito legal!

Autora: Cláudia Paiva

Turma: T61



VINTE E TRÊS DE OUTUBRO DE 2008: O CÉLEBRE ENCONTRO

Foi um dia muito especial, foi um encontro marcante. Conhecer pessoalmente Ruy Carlos Ostermann foi maravilhoso. Amei conhecer o autor de grandes obras, o comentarista, a pessoa simples e carismática que ele é.


Foi emocionante quando ele respondeu uma pergunta feita por uma colega referindo-se ao racismo. A resposta dele foi tão verdadeira quanto emocionante. Ele falou que o racismo dói nele tanto quanto na pessoa que é discriminada.

Para mim o encontro com Ruy Carlos Ostermann foi de muito proveito. As perguntas foram bem elaboradas por nós e bem respondidas por ele. Nossa! Foi tudo muito bonito!
A representação do programa sala de Redação foi muito lindo. Foi uma homenagem 100% maravilhosa, oferecida ao maravilhoso escritor Ruy.

Admiro o escritor Ruy, porque ele é um vencedor, porque lutou por seus ideais e venceu.
Deste encontro ficou a lembrança de um homem simples, verdadeiro e muito simpático. 
Conhecendo o celebérrimo Ruy Carlos Ostermann posso afirmar: para ser grande não precisa ser altivo.

A simplicidade dele é contagiante.

Autora: Maria Arlete Padilha
Turma: T61


“Foi na quinta-feira, dia 23 de 0utubro, que o professor Ruy esteve na escola nos visitando. Foi muito legal, pois o professor Ruy é muito sincero e alegre. As horas que a gente passou com ele foram muito divertidas, pois aprendi bastante.


Eu achei o autor muito interessante, muito criativo e ele foi muito espontâneo. Eu acho que deveria ter mais encontros assim, pois aprendemos muito com eles.

Eu aprendi que se eu tiver um sonho e mesmo se tiver dificuldades para realizar este sonho, nós devemos lutar e continuar até nós conseguirmos aquilo que nós queremos. É só confiar e acreditar em nós mesmos.

Eu levei deste encontro várias coisas, como acreditar naquilo que queremos, confiar em outras pessoas e pensar que não somos só nós que podemos acreditar e conseguir, mas sim todas aquelas pessoas que confiarem nelas mesmas vão conseguir tudo e mais um pouco.”

Aluna: Ângela Trindade

Turma: T61



“Quando cheguei no colégio no dia 23 de outubro de 2008, Ruy Carlos Ostermann já havia chegado, pois me atrasei em razão do meu trabalho. Entrei na sala e o avistei. Sem sombra de dúvida, ele é como parece se parece no programa, falando normal, da forma mais simples e cativante.

Eu achei emocionante e interessante a hora dos autógrafos. Eu lhe pedi um e ele autografou meu caderno. Fez uma dedicatória a qual eu guardarei com carinho junto a foto que tirei dele. O Sala de Redação dos colegas estava ótima, igual. Acho que lê mesmo se surpreendeu com o sucesso dos colegas. Foi muito bom conhecer a obra do Ruy.”

Autora: Méris Teresinha Rosa de Castro
Turma: T61



“Eu achei o professor Ruy Carlos Ostermann uma pessoa simples, carismática e, ao mesmo tempo, uma pessoa séria em seus comentários.

Eu lembro que o professor Ruy Carlos Ostermann enfatizou que nós alunos devemos escutar e prestar mais atenção quando o professor está explicando a matéria em sala de aula.

Eu lembro com emoção que ele me transmitiu com positivismo que nós, alunos, devemos ir à luta e não desistirmos de nossos objetivos.

Gostei muito da apresentação dos colegas, foi bem elaborada pelo grupo e o tema foi bastante polêmico, pois tratava de futebol e dos atritos entre torcidas rivais.

Eu percebi que estou no caminho certo e preciso me esforçar ao máximo para ser uma professora. Foi o que o professor fez desde pequeno, ele lutou e acreditou nele.”

Autora: Dozolina Angolini
Turma: T41



“Eu achei o autor muito legal, bem divertido e inteligente.
O que eu aprendi com Ruy é que hoje em dia devemos ser humildes e sinceros e que devemos começar debaixo e sermos nós mesmos. “

Autora: Fabiana Giuliano
Turma: T41



A VINDA DE RUY CARLOS OSTERMANN

No dia 23 de outubro de 2008 nossa escola recebeu a visita do professor Ruy.


O professor Ruy é uma pessoa inteligente e muito simples, clamo e bastante atencioso.
Ele tem um jeito lindo de tratar as pessoas, com respeito e igualdade.

No momento do encontro com o professor o mais interessante foi a simplicidade dele e o modo como prestou atenção em tudo que estava a sua volta e nas pequenas homenagens que forma feitas a ele.

O professor respondeu a todas as perguntas que lhe foram feitas com carinho.

O Sala de Redação foi lindo! Os nossos colegas representaram muito bem os seus papéis no debate.

O professor Ruy assistiu com atenção e aplaudiu com um sorriso de satisfação e felicidade e agradeceu muito.

A vinda do professor na escola e sua obra nos presentearam com seu ensinamento simples e com a sinceridade de suas palavras.

Autora: Neli Castro Novo da Rosa
Turma: T41



MEU ENCONTRO COM RUY CARLOS OSTERMANN

É difícil tirar conclusões sobre uma pessoa em apenas um encontro, porém o pouco que vi achei o professor Ruy uma pessoa culta, inteligente e humilde.


O momento do encontro com o autor que eu achei mais interessante foi quando através das fotos passaram sua história de infância.

O Sala de Redação criado por meus colegas foi uma grande idéia, porque teve informação e cultura.

No encontro que tive com o autor Ruy Carlos Ostermann aprendi que nem sempre sonhos são bobagens, que se desejarmos e corrermos atrás podemos concretizar nossos sonhos, que a leitura pode ser muito interessante quando escolhemos um bom livro para ler.

Este encontro despertou em mim a vontade de ler, de estudar muito para ter uma profissão no futuro e, através dela, também um dia estar nas escolas contando um pouco sobre minha vida.

Autora: Daiana Aparecida da Silveira Resmini
Turma: T41



“Eu achei muito legal o dia 23 de outubro de 2008. O autor Ruy Carlos Ostermann chegando na sala muito simpático e simples e demonstrando uma educação exemplar.
A parte do encontro que eu achei mais interessante foi quando ele respondeu as perguntas com muito carinho e alegria.

Eu aprendi que não podemos desistir de parender, ir em frente tentando e tentando, porque o autor passou por vários momentos ruins na vida, mas não desistiu de ser o que é.
Eu levei em minha mente que nós temos que insistir no que queremos, dar valor às pessoas e ir à luta e ter o respeito do outro.”

Autora: Laurinda Aires
Turma: T41



A amabilidade dos aviões

Era fácil fazer um aviãozinho. Uma folha de papel almaço dobrada ao meio longitudinalmente, duas dobras numa das extremidades, uma volta ao modelo anterior e a abertura de duas asas. Não se precisava mais: voava impulsionado pela mão e, às vezes, dava voltas e aterrissava docemente. Mas aí dependia do tamanho das asas e, segundo aprendi mais velho e já desiludido com aviõezinhos, dependia também da duplicação das asas e, em alguns casos, da possibilidade de um rabo.Aviões não são mais. Agora são aeronaves e não se fazem mais de papel. Também já 
não se fecham mais simplesmente as portas. Tratam-se agora de procedimentos com as portas, e disso deve se encarregar a tripulação do vôo, formada por comissários de bordo e chefe de equipe. "Essa aeronave está dotada de duas portas...", diz, enfático, o comissário pelo alto-falante. Fala em português antigo e em inglês impossível. Aliás, to, como indicador de direção, é tiu, e como perguntasse o porquê - já que me parecia tão simples dizer apenas tu - me responderam várias vezes que é tiu, mas eles não sabiam o motivo. É uma alegação definitiva, pensei, e não perguntei mais. Nos aeroportos a Iris Lettieri anuncia todos os vôos que saem ou que chegam. E se não é ela, que já faz tempo gravou essas orientações, é alguém imitando sua inconfundível inflexão de sedutora voz nos ãos e nas proparoxítonas. Um velho charme, como se fosse uma cantada. Falsa ou verdadeira, é a última amabilidade dos aeroportos.

OS ÚLTIMOS AVIÕEZINHOS

Como todos, tenho uma relação afetiva com aviões. Brinquei com avião de papel que bastava dobrar uma folha ao meio, amassar para dentro as extremidades e ajustar o restante do corpo. Brinquei também com avião de madeira, que não voava, mas enchia a mão e podia aterrissá-lo na mesa entre os pratos e os talheres, e, finalmente, ganhei um avião de lâminas de metal que tinha peso, cabina de piloto, duas rodas e um motor em cada lado debaixo da asa dupla. Também soltei aviões do alto da casa, soube arremessá-los com a funda - que era como se dizia em vez de 
estilingue - com mais apuro e dedicação. Acho que fui menos apaixonado por pandorga, mesmo que tivesse roncador e rabo responsável. Os aviões me fascinavam. E quando cruzavam no céu, bem em cima da casa e desapareciam na nuvem, a fantasia de menino pobre era a de estar a bordo e passar acenando na certeza de que saberia voltar fazendo uma longa curva logo depois da nuvem. E então, abrir a porta com um movimento enérgico para o lado, fazendo um estrondo, descer pela escada metálica até colocar os dois pés firmemente na grama do campo de pouso entre vacas e galinhas desorientadas. E meu tio feliz com minha ousadia, era preciso passar a noite contando como é o mundo visto do alto. Cresci assim, apaixonado, mas não permitiram que fizesse o curso de piloto civil, um curso respeitado no Aeroclube. E depois, passou, fiquei apenas vendo os aviões, até chegar bem perto deles no Salgado Filho. Mas não tanto que pudesse tocá-los ou, supremo desejo adolescente, subir a escada, entrar num deles, sentar na terceira fila, apertar o cinto e imaginar como seria a despressurização, o frio na barriga, o rio na janela, o enjôo. A primeira vez que fiz check-in e me chamaram para o portão de embarque faz muito tempo e devo misturar essa experiência finalmente feita com outras. Já não lembro do aeroporto, muito menos do tipo de avião, tenho certeza de que se entrava no avião subindo e era preciso continuar subindo por dentro dele porque ficava bem inclinado. Era um Curtis, não era? Agora, se olho as imagens, leio os depoimentos e sinto a trespassada dor de Congonhas, não sonho mais, nem tenho alegrias. Todos os meus aviõezinhos escorregaram na pista e explodiram.

Ruy Carlos Ostermann


LOGO QUE O SOL BAIXAVA

Nunca fui de enfeitar muito. Gosto de conversar, é verdade, dar palestra, fazer discurso ou espichar uma confissão cada vez mais freqüente sobre os meus velhos anos. Mas não enfeitar, ir traçando uma fantasia só pelo prazer de ver as frases se articulando e no sentido delas irem crescendo aos poucos como se pudessem emitir um sinal. Ou uma súbita revelação.


Lembro de quando era criança na casa da minha avó, que era um pequeno sítio com laranjeiras, repolhos, galinhas e, às vezes, um porco. Tio Emílio cuidava da rocinha, das plantas, abria mais o caminho que levava por dentro até o outro lado que era onde estavam as melancias do seu Rungger, um homem baixo, quieto, acompanhado de um cachoro igualmente baixo e retacão Mas não era das melancias que queria falar. Era do entardecer no sitio da vó. Logo que o sol baixava atrás da casa de madeira, acendia-se uma lâmpada na sala, mas o desejo que tinha era de ir para a cama. Travesseiro e coberta estofados com penas de pato, fofas, leves, duravam alguns minutos para se assentar sobre o meu corpo protegido com um pijama de lã de gola fechada e abaixo dos pés. Esperava por essa hora de ir para a cama com ligeira ansiedade. Apagava-se a lâmpada do alto do teto, fechava-se a porta, os ruídos ficavam na cozinha ao redor do fogão à lenha, que secava as toalhas e os panos de pratos dependurados um a um pelo corrimão. Fechava os olhos, abria os braços e começava a pensar. Pensava comprido, nada dos livros que ainda não lia nem dos jornais que não tínhamos, alguma coisa dos domingos pela manhã - eu sabia que era domingo de manhã pelo rádio ligado em cima da cômoda. Imaginava todos os animais do sítio, com preferência para o Lord, o peludo policial alemão, ou então os patos e o casal de gansos que me bicava toda vez os botões redondos da camisa listrada. E inventava histórias em que era o protagonista bem-intencionado que dava ordem ao galpão e ao galinheiro sem abdicar dos sustos com as cobras que apareciam de repente - tinha sobressaltos. Tudo que pensava se realizava, deve ser por isso que não esqueço.

Ruy Carlos Ostermann



Turma T 41





Turma T 61



Professores do Marcírio

Jane Mari, Cláudia Prates, Claudete, Hobber, Silvia Perivolaris, Rozane, Clédison, Hálex, Claudia Uchoa, Eliane, Elizabete, Aneri.














Material postado em:  https://marciriogoulart.blogspot.com.br/

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